Igreja: o corpo natural de Cristo

Não é necessário estar na igreja para ser salvo. É preciso ser igreja para estar salvo. Congregar é ato daqueles que são igreja. O próprio termo igreja (eclesia) implica em reunião. Não é uma reunião de quem vai ao templo, mas uma reunião como em um corpo que nunca se desmembra. Não diz respeito a um ir, antes a um fazer parte, isto é, não se vai a igreja, e sim se reúne como igreja. Compreender isto é sumamente importante para se ser discípulo de Cristo.

Não congregar (reunir) seria o equivalente a um membro do corpo que não quer se comungar com os demais membros. Imaginemos um corpo em que o braço não queira hoje estar nele, o corpo continua sendo corpo, mas aquele braço, como que decepado, passa a ser apenas um membro inválido, ou seja, deixa de ser membro e logicamente a vida não está nele.

Não se pode ser igreja sozinho, logo não se pode afirmar salvação alguém que rejeite o corpo do próprio Cristo e sua comunhão. Se equivoca quem pensar em dizer "não há salvação fora da igreja", pois isto coloca novamente a igreja como local e não como corpo natural de Cristo. Todavia não há salvação sem ser igreja e não há igreja que não se reúna e se mantenha unida pelo vínculo de Cristo.

Como somos seres que ocupa espaço, não há como nos reunirmos senão em algum espaço, no entanto, é necessário compreender que a união da Igreja do Senhor ultrapassa o tempo e espaço, sendo não apenas uma reunião local, mas acima de tudo espiritual e, desta comunhão participam todos os salvos de todos os tempos (mesmo os que já estão com Cristo) e lugares (não importa a distância). Não, eles não descem ou vêm até nós e nem nós subimos ou vamos até eles. Tal comunhão se dá unicamente pelo fato de tanto eles quanto nós sermos todos salvos e pertencentes a um único corpo, o de Cristo.

Porém, é necessário compreender que ser igreja nunca pode ser tido apenas como um acontecimento no tempo e no espaço, há o momento de coletividade de adoração que pode ser chamado de momento de convergência no qual todos participam em uma reunião física e comum. Contudo, ser igreja transcende a reunião momentânea e se expressa também em uma reunião espiritual. Ou seja, não importa por onde eu vá meu braço sempre é parte de meu corpo se permanece no meu corpo; assim não importa se a reunião terminou continuo sendo corpo de Cristo e sendo ligado a todos os demais membros. Portanto, assim como minha mão tem responsabilidade com minha outra mão e também meu pé em fazer andar o restante de meu corpo; assim como igreja cada um é responsável em amor em cuidar de seu irmão como parte do corpo de Cristo.

Se nos reunimos apenas momentaneamente para louvar e adorar a Deus, mas não temos consciência do que é o corpo de Cristo, temo que nossas reuniões nada mais são que um passatempo em um dia de domingo. Se durante todo o restante da semana vivo como se não fosse membro do corpo de Cristo e não tenho nenhuma responsabilidade com meu irmão a quem vejo é vã toda e qualquer reunião que eu queira oferecer a Deus a quem não vejo.

Ser igreja é ser o corpo de Cristo guiado pelo cabeça que é o próprio Senhor. O corpo não vai onde quer, mas apenas onde a cabeça lhe guia. A igreja não deve fazer o que lhe agrada, mas antes o que agrada a Deus, pois somente Ele sabe como devemos fazer isto.

O Senhor nos ajude!

Paulo Freitas
pensarteologia@gmail.com

Jornada à maldade

De volta a meu pecado. Não à transgressão cometida, mas à situação intrínseca de pecador, naturalmente fadado ao mal e consequentemente entregue ao engano.

Não sou bom e, definitivamente, não tenho expectativas na humanidade, pois não sofro com esperança nem em mim mesmo.

Minhas idiossincrasias são extremamente limitadas à minha satisfação própria, ou seja, tudo que vem de mim é para mim, não sei pensar ou fazer o bem, sou orgulhoso e egoísta, prova disso até o momento é a quantidade de verbos na primeira pessoa que já disse (mais um) neste texto.

Não acredito em chance alguma de melhoria para mim, minha natureza humana me inflama a tentar me satisfazer de que sou bom e posso melhorar, mas na verdade isto nada mais é que uma maneira de tentar transmitir aos outros que sou bonzinho e preciso ser aceito, porém no fundo, o que quero é satisfazer-me, é alcançar meus desejos não importa o que aconteça. A cara de bonzinho é só mais uma artimanha de um coração maligno que adora ter suas vontades realizadas.

Talvez você que tenha tido estômago para ler este texto até aqui esteja pensando: “Como você está sendo pessimista”. Ou ainda: “Você é um ignorante”. Outros também imaginam: “Que pecado ele terá cometido? Está querendo o perdão!”. Mas os piores, como eu, dirão: “Você é um idiota, pecador, maldito que não sabe nada sobre a humanidade”. Por isso eu digo: Fique a vontade em seus julgamentos, eles só comprovam o que disse sobre mim e ratificam o mesmo sobre você. Não importa do que me chame, o que quer que diga é a mais pura verdade. Não implica em ter ou não cometido pecado, mas em ser pecador e é isso que eu sou. Nada que eu faça poderá mudar esta realidade, praticando ou não esta é minha natureza. Então um último pensamento lhe passa pela cabeça: “Entendi, ele está querendo se passar por bonzinho demonstrando sua maldade e assim ficar de coitadinho”. Novamente você está certo. Já afirmei isto anteriormente, mas isto novamente só demonstra o quão maléfico sou e incapaz de cometer algum bem. Minhas melhores ações são más e pecaminosas.

Não imagine agora, que eu o trouxe até aqui para lhe dar uma palavra de retorno à bondade e, de algum modo, preencher nosso ego malfazejo. Esta jornada à maldade é real, nós é que nos enganamos tentando nos satisfazer com a ilusão de que alguma coisa boa pode sair do ser humano. A bondade humana nada mais é que uma viagem à Terra do Nunca ou ao País das Maravilhas. O mal em nós é tão claro que nos faz acreditar que podemos fazer algo de bom, que somos bons. Todavia a verdade é o oposto, temos aparência de bem, porém isso já é astúcia maligna.

Apesar de ser mal, prefiro não ser enganado pela mentira de que posso ser bom às minhas próprias custas. Não há volta, enquanto estivermos neste mundo teremos que conviver com esta natureza macabra que almeja constantemente o bem para si, mas mesmo para si sempre o torna com mal. Visto que este bem nada mais é do que produto de uma mente maligna, por isso mesmo o que faço para mim, ainda que acredite ser bom, na realidade é mal, pois nasce de um ser vil como eu sou.




Não espero melhoras, o inferno não são os outros, sou eu mesmo; eu mesmo tenho a natureza não muito diferente a de um demônio; eu mesmo estou caminhando para um inferno que não preparei, mas que está preparado para todos os maus. Sinto informar, mas lá é nosso lugar. Aceitando ou não isso é a paga que merecemos.

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