Uma refutação à banalização da fé na Igreja de Deus no Brasil – Parte 1

A Igreja de Deus no Brasil tem seus fundamentos na igreja bíblica do Novo Testamento. Está fundada, desde seu nome à sua declaração de fé, nos rudimentos da Palavra de Deus. A IDB tem procurado ser, de maneira teológica e prática, uma denominação segundo as Escrituras. No entanto, apesar de todo o cuidado para com a sã doutrina, muitas igrejas locais tem apresentado ensinos que contradizem a regra de fé de nossa denominação e, pior ainda, vão de encontro ao Evangelho. Sou membro da IDB a mais de dez anos, mas nos últimos anos tenho visto aberrações que têm manchado o ensino de fé de nossa igreja. Não posso me calar a não ser que seja contestado e dado como errado a partir da Bíblia. Caso contrário, não tenho outra escolha senão falar do que incomoda a muitos. Sei que este é um grito de socorro entalado na garganta de muita gente, mas por algum motivo, acaba abafado, suprimido. Mas eu não aguento mais. Não sei o que pode acontecer depois daqui, o Senhor me perdoe se eu estiver errado, se a interpretação que faço estiver equivocada, mas meus olhos só veem uma coisa: a glória de Deus; meu coração só pulsa uma coisa: a vontade de Cristo.

Hoje me deparei com uma propaganda que me espantou, um cartaz no qual havia um personagem de desenho animado, mas propriamente um herói da Marvel (indústria de entretenimento em quadrinhos). Averiguei e percebi que havia outros cartazes com muitos outros desses personagens. O cartaz fazia referência a um culto de jovens denominado “Culto dos Heróis” e se tratava mais propriamente de uma festa à fantasia no templo de uma IDB. Todo participante deveria ir fantasiado de seu super-herói preferido. Abismado com isso publiquei em meu perfil do Facebook uma nota de repúdio, o que em poucas horas gerou vários comentários de pessoas que também discordavam da ideia, e muitas discussões sobre o assunto. Resolvi, então, organizar este artigo e demonstrar minha posição a partir da interpretação bíblica sobre o assunto bem como de acordo com as regras de fé e prática da Igreja de Deus no Brasil. Nos comentários (link aqui) foram ditas algumas questões as quais tomarei parte a seguir. Não preocuparei em defender-me dos comentários tecidos à minha pessoa, o Senhor me justifica, mas defenderei a fé pela Igreja do Senhor.

Tenho ciência de que muitas igrejas locais estão adentrando por caminhos contrários às Escrituras, portanto, espero poder edificar o corpo de Cristo nesta denominação através deste artigo.

A IGREJA LOCAL
De acordo com o livro de Ensinos, Disciplina e Governo da Igreja de Deus (EDGID) a igreja local é “a unidade básica da administração regional [...] sob a coordenação de um Pastor Titular [...]. Cada igreja local, ao ser aceita como parte da Igreja de Deus, está sujeita às decisões da Assembléia Geral nas questões de doutrina, ensino e governo” (EDGID, p. 61). Cada igreja local possui sua liderança local que a administra apenas localmente (acho que foi necessária a redundância), ou seja, não possui nenhum direito ou poder legal de mudar qualquer que seja a definição constante no EDGID. Portanto, se alguém, de alguma maneira infringe as regras de fé da denominação que, creio eu, são o máximo possível embasadas na Bíblia, este deve ser admoestado.

1 O CULTO DOS HERÓIS
A programação em questão “O Culto dos Heróis” infringe vários pontos relacionados ao EDGID e, principalmente às Escrituras. Vamos por partes:

1.1 QUESTÕES BÍBLICAS E TEOLÓGICAS
a) O problema da nomenclatura do evento: o nome em si já é um descaso com toda a história da fé. O que é o culto? O culto é um serviço prestado a Deus e aos irmãos - adoração a Deus e comunhão uns com os outros - (Ef 4. 7-16). O apóstolo Paulo utiliza a metáfora do corpo (1Co 12. 12-27; Ef 4. 4-6) para demonstrar a união orgânica e viva que é a Igreja, ou seja, um culto só pode ser serviço prestado a Deus se e somente se qualquer cristão verdadeiro puder participar dele com um mesmo propósito, e que este objetivo não seja de um grupo, mas antes de todo o corpo segundo a Palavra de Deus (Ef 4. 15, 16). Estou farto de cultos específicos, nos quais apenas uma parte pode participar e a outra fica olhando ou nem mesmo vai ao templo. Biblicamente isso não é culto é outra coisa. Culto não é meramente assistido, mas manifestação do poder de Deus através de cada membro do corpo de Cristo que é a igreja. Alguém poderá questionar: “Mas não proibimos ninguém de participar, quem quiser está convidado”. Isso é conversa fiada. Muitos na igreja apenas dizem: “Isso é coisa de jovem.”, mas se forem confrontados com a verdade bíblica teriam que concordar que eles não se sentem bem em participar de um movimento dessa ordem. Ainda sobre o nome. De que tipos de heróis estão falando? Dos heróis bíblicos? De maneira alguma. Os heróis mencionados são os heróis das empresas de entretenimento (quer se entreter faça isso em casa e não no culto público). São seres fictícios que têm por objetivo apenas a diversão e o lucro (quer se divertir fique à vontade, mas não chame isso de culto e nem use o templo para isso). Mas que os que sentem saudades da vida mundana se apropriam disso, pois “é melhor na igreja do que no mundo” e, acabam por trazer o mundo para dentro da igreja. Sentem falta dos pepinos do Egito (Nm 11. 4-6). A comida de Deus não satisfaz mais (Mt 4. 4). Os heróis não estão mais na Palavra de Deus (Cf. Hb 11). Os heróis que inspiram nossos jovens nem mesmo existem, são irreais, personagens mirabolantes que exaltam um antropocentrismo vigente nessa época relativista. É tudo fantasia. O evangelho não é fantasia, mas é “o poder de Deus para a salvação” (Rm 1. 16).

b) O problema do pragmatismo evangelístico: segundo os comentários no post a intenção do “Culto dos Heróis” era evangelizar os adolescentes. Creio que o que se pensa é que de outra maneira estes adolescentes não iriam à igreja. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo disse que há “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tm 2. 5). Isto é, o único motivo para que alguém possa fazer parte do corpo de Cristo é o próprio Cristo, qualquer meio utilizado para trazer alguém à fé deve ser provido pelo próprio Deus, senão, como disse Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Não importa quantas pessoas encham a igreja, se o motivo pelo qual elas chegaram a Cristo não foi o próprio Cristo é bem provável que elas ainda estejam longe da fé. Qualquer jovem que diga ter se convertido, mas que não sabe dar razão de sua fé depois de algum tempo na fé, ainda não conheceu a vida eterna. Chega de “oba, oba”, apenas as Escrituras proveem fé para a salvação em Cristo (Rm 10. 17) e qualquer outro meio deve ser tido como coisa imunda e desprezível (Gl 1. 8). A igreja deve abrir seus olhos e compreender que nem tudo que dá certo é certo, isso é apenas mais um engano de Satanás para deter a verdadeira obra da Igreja que é levar o evangelho puro e simples ao perdido. O pragmatismo religioso de que se eu estou tendo “frutos” (enchendo a igreja) Deus está feliz comigo deve ser aniquilado. Deus não está preocupado em que se encha a igreja de pessoas que estão ali tendo Ele como segundo plano, pois a fé de tais pessoas se perde facilmente quando não há as programações que lhes enchem os olhos e lhes satisfazem os prazeres que abdicaram do mundo: mero ateísmo prático; pois com a boca confessam a Deus, mas com o coração o despreza. Deus não é a totalidade da vida para essas pessoas, mas apenas mais uma parte. Isso é triste. Mas eu desafio: tire as programações por um breve tempo (seis meses) e comprovem quantos vão sobrar. Não podemos deixar a igreja virar um playground para pessoas que querem apenas se divertir em um lugar menos movimentado. Creio que Deus quer uma igreja que cresça em números, mas que não tenha que sacrificar tua Palavra para que isso aconteça.

c) O problema do comportamento para com os não-cristãos: “O que é aquilo ali?” Pergunta João. “Dizem que é um culto!” Responde Pedro. “Sério? Pensei que fosse uma boate, por que tá igual a que eu fui ontem, luzes e som a vontade todo mundo dançando.” Retruca João. “Cara não fale assim, ali é a casa de Deus” Defende Pedro. “Se é a casa de Deus hoje ele tá viajando, por que os filhos dele tão fazendo a festa” Conclui João. O que temos a oferecer aos descrentes? Cópia das coisas que eles já têm, mas numa versão melhorada ou modificada, sem sexo e bebidas alcoólicas, em um lugar que possam desfrutar tudo de maneira lúcida? E ainda por cima com Deus pra aprovar tudo que fazem? Não é bem assim que o mundo nos vê. O apóstolo Pedro em sua epístola deixou bem claro que se há algum motivo para sofrermos que seja por sermos cristãos (1Pe 4. 14-19). Paulo nos ordena a examinar todas as coisa para que possamos reter apenas o que é bem e após examiná-las devemos fugir até mesmo da aparência do mal (1 Ts 5. 21, 22). E o que possui aparência do mal? Tudo aquilo que nos afaste de crescermos na graça e no conhecimento de Deus, que nos satisfaça os olhos e a carne e nos torne amigos das coisas do mundo (1 Jo 2. 15-17). Amigo nesse caso é o que passa a concordar com o que seu amigo-mundo faz, mas se não concorda com tudo pelo menos participa ali, juntinho dele, bem do ladinho, olhando não tendo, mas querendo. Devemos ser luz para o mundo, isto é, iluminar o caminho para eles, o que só é possível através do conhecimento da Palavra de Deus; também temos que ser sal, ou seja, nossos testemunhos devem superar as práticas deles, para que nossas práticas possam de alguma maneira salgar e fazer diferença neste mundo não o deixando apodrecer de vez (Mt 5. 1ss). Devemos nos portar bem para com os de fora e não sermos motivo ou impedimento para a verdadeira salvação pela fé.

Muito triste!
Só ao Senhor a Glória.



Essa é a apenas a primeira parte estarei concluindo a segunda parte a partir do EDGID.

11 comentários:

  1. Graça e Paz
    Sou pastor da IDB em Valinhos e trabalho com jovens e adolescentes. Nossa igreja hoje está enfrentando dias dificeis, devido há várias divisões e debandadas de membros; mas cremos que Deus está trabalhando em nossa igreja de uma forma especial. Eu já tive muitas experiências com atividades de jovens e adolescentes na igreja que de alguma forma contribuiram para a evangelização da garotada, mas sei que somente o Evangelho de Jesus Cristo pode realmente transformar o ser-humano. Eu não sei como é esse evento que os irmãos fazem nesse "culto dos heróis", fica difícil fazer um julgamento sem ao menos participar de uma reunião; mas infelizmente o pragmatismo nas igrejas tem sido uma realidade cada vez maior. A velha história de os fins justificam os meios, temos visto em nossa igreja que muitos estão saindo justificando que a igreja está muito parada e que precisamos ter mais atividades que atraiam as pessoas; bem, eu confesso que já pensei assim antes, mas hoje eu penso que não precisamos de mais atividades, ou de mais eventos. precisamos sim voltar ao evangelho puro e simples (simples não banal), e Deus (não nossas estratégias) irá acrescentar à igreja, aqueles que são salvos.
    Aqui na IDB de Valinhos nós faziamos uma reunião que denominamos de "Área 51", não se tratava de um culto, mas sim de um bate-papo com os jovens e adolescentes, onde cada um tinha oportunidade de se expressar. cantávamos músicas diferentes das que normalmente se canta nos cultos, falavamos de poesias e artes em geral; e também era dado um espaço para que os jovens tirassem dúvidas e até questionassem algo que não concordavam; quando me questionavam sobre o tema ÁREA 51, eu falava sobre coisas que estão escondidas dentro de nós e que só Deus conhece; e ligava com o salmo 51 e a confissão de Davi diante de Deus. Como já disse, é dificil julgar sem conhecer, mas uma coisa é certa, precisamos urgentemente voltar à pregação expositiva do evangelho e ensinar a palavra de Deus sem maquiagens. Se quiser visite meu blog (apesar de que está um pouco parado). Deus o abençoe.
    http://www.blogdoprvaldir.blogspot.com.br/

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  2. Segundo Apostolo João em 1 Jo 2-14, os jovens são fortes, ele esta certo, são fortes para vencer o maligno, mas por outro lado também são forte em servir o mundo, caso não sejam ensinados na verdadeira doutrina bíblica. Precisamos resgatar esses jovens, traze-los para a luz das Escrituras, e isso podemos fazer através do ensino nas Igrejas, ou isso, ou teremos que lutar contra esses "herois" no futuro em defesa da verdade. Que Deus no Ajude!

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    1. Amém! Mesmo que tudo pareça difícil, não podemos desistir de fazer a vontade de Deus e lutar contra o engano do maligno. Obrigado por sua contribuição.

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  3. Caro amigo e irmão, achei que somente minha voz (sem pretensões) estava clamando por mudanças em nossa denominação, sou membro da IDB desde sempre e defendo o amor e a base cristã que acredito e nos ensina o tão esquecido EDGID, gritamos para as pedras, sei disso, mais Deus levanta valentes para defender sua obra então sejamos firmes e continuemos a lutar contra esse "mundanismo" que vemos em nosso meio, Deus está conosco!

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    1. Obrigado irmão por seu comentário. Espero que ainda possa se sentir a vontade para colocar seu nome na postagem, mas entendo seus motivos. Independente do que nos aconteça não podemos nos calar sobre a Palavra de Deus, não por interesses próprios, mas para satisfazer a vontade do Senhor. Que Ele cuide de cada um de nós.

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  4. Pr. SAMUEL JUSTO ARAÚJO26 de julho de 2013 12:52

    Graça e Paz, Paulo,


    Meu querido irmão em Cristo, depois de tanto escrever sobre a situação caótica que se encontra a igreja universal de Cristo nestes dias, e de sofrer toda espécie de consequências por isso, o único alento que encontrei em Deus, foi sua palavra que diz acerca da desesperança do profeta Elias; "ainda existem muitos que não se dobraram a baal" (tradução livre). Li seus dois artigos e pude ver que você delimita bem o assunto, significa dizer que a situação da igreja de Cristo é bem pior, esta é só a ponta do iceberg. Assim como você, não desisti e não desistirei, espero ainda fazer muito, ou alguma coisa, para contribuir com a igreja de Cristo, apesar de saber que as coisas estão acontecendo exatamente como tem que acontecer. Conte comigo.

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    1. Vamos continuar firmes neste caminhar. Estamos juntos em Cristo e juntos engrandeceremos a vontade Dele. Obrigado pela participação.

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  5. Quando entrei no seu blog e vi o título Uma refutação à banalização da fé na Igreja de Deus no Brasil – Parte 1, esperava outra coisa, algo generalizado. Mas o que você apontou aqui foi algo pontual, local. Atacou ao Culto dos Heróis. Eu sinceramente, apenas com os fatos que você apresentou não posso opinar. Sou membro da Igreja de Deus há 7 anos, e líder de Jovens, procuramos sempre fazer Cultos com uma abordagem totalmente cristã.

    Somente a Verdade do Evangelho é que pode transformar o ser humano e ela por si só deve ser o atrativo para Jovens. Elementos do mundo não devem entrar na Igreja. Porém estamos o evangelho deve ser levado de forma contemporânea. Não estou concordando com o culto, porque como o Pastor da IDB de Valinhos disse, precisaria participar para opinar.

    O que eu sei é que nossa Igreja sempre zelou pelos seus ensinamentos, tanto que investe na Educação teológica (SEID) e não é envolvida em escandâlos de qualquer natureza como outras denominações. Uma denominação séria, responsável e baseada na Palavra de Deus. Então o título da sua postagem está incoerente e induz ao erro.

    no amor de Cristo

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    1. Obrigado Misael, por seu comentário.

      Na verdade recebi algumas críticas de líderes da IDB por que acharam que eu deveria ter generalizado menos ainda. Alguns disseram que eu deveria ter colocado até mesmo o nome da igreja local que fez tal culto, mas não quis fazer isso.

      Quanto ter que participar para opinar, não concordo que isso seja necessário e acredito que deixo meu pensamento claro sobre isso (não precisamos tomar veneno para saber qual mata e qual não).

      Sobre o título da postagem, não compreendi qual a incoerência, pois percebo que há uma intencional banalização da fé através do evento que critiquei; também não percebi em que sentido, e a quem, induzo ao erro.

      Abraço.

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  6. Sou pastor aqui na IDB em Joinville. Comecei formando a IDB em Balneário Camboriu e recentemente vim pra Joinville. Nessas duas cidades vi as mesmas coisas nas igrejas evangélicas adeptas do evangelicalismo: entretenimento e pouca base bíblica doutrinária. As pessoas estão fartas de entretenimento, estão buscando conteúdo e relacionamentos sadios. Creio que podemos dar uma resposta a esse anseio mesclando uma igreja aberta a cultura moderna no que diz respeito aos estilos e tribos urbanas e forte base bíblica doutrinária. Inspiro-me em Mark Driscoll, calvinista como eu, que tem uma igreja nos EUA (Mars Hill Church) onde recebe pessoas de todas as tribos urbanas e ao mesmo tempo prega o evangelho puro e simples reformado. Ness ponto a IDB poderia muito contruibuir, junto com outras igrejas históricas, para um verdadeiro avivamento reformado.

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  7. De fato tem havido uma inteira banalização da fé em muitas "igrejas" hoje. E aberrações como o "culto dos heróis" tem manchado o nome de Cristo e daqueles que são seus discípulos. Vejo que certas estratégias utilizadas tem atraído pessoas para o templo, mas não para o corpo de Cristo que é a verdadeira Igreja.
    E muitos desses métodos parece aceitar a idéia de que Deus e Sua Palavra não são suficientes para convencer os homens de seu pecado.
    E infelizmente muitos líderes tem deixado de confiar Naquele que é poderoso para fazer abundantemente mais tudo aquilo que pedimos ou pensamos.
    Voltemos as Escrituras.

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