Biografia de um ano como outro qualquer: Desconhecido, até terminar.

Ano de felicidade em meio à tristeza. Descobri que ser feliz não tem como opositor o estar/ficar triste. A felicidade – particularmente – não é o mesmo que bem-estar, relativo ao ter.

Neste ano de muitas lágrimas descobri o amor cristão em muitos irmãos e irmãs de fé. Pessoas que valoram outras pessoas acima de qualquer bem material.

Entendi o sentido de “melhor coisa é dar do que receber”. Enquanto muitas denominações eclesiásticas ministravam o “ano da colheita”, da “prosperidade”, da “benção”. Percebi que isso, nunca – generalização proposital –, é coletivo, mas, sempre, individual. É a maneira de Deus trabalhar com e em cada um. Para mim, foi o ano de receber, e só se recebe quando está necessitado. Eu necessitei. Se fosse para escolher, não escolheria o que passei. No entanto, percebo que pode ter sido o melhor para mim.

Para que o amor seja praticado é sempre necessário haver quem dá e quem recebe. O viajante sofre pelo assalto e maus-tratos, porém, o samaritano aparece. E pelo meu caminho, também, apareceram “sacerdotes e levitas”. Observaram o meu mal, e passaram distantes.

Conheci os “amigos” e amigos de Jó (longe de eu comparar-me a ele). Todavia os “amigos” eram da mesma estirpe. Os “amigos” vieram até mim, ouviram minhas dores, e acusaram minha fé – que não é tão grande coisa, mas é a que tenho – me obrigando a receber a cura, pois se não acontecesse, a Palavra de Deus não seria verdade para mim – lastimei. Já os amigos, com tristeza, oraram e choraram por mim, ajudaram a matar minha fome, me fizeram sorrir mesmo quando eu queria chorar, acalmaram minha esposa, compartilharam o amor e uma fé que confia em Deus por ser Deus e não porque Ele faça milagres.

Minha amiga mais chegada que irmã, meu lenitivo: Janaína, companheira. Esta sofreu por mim e comigo. Noites sem dormir e eu a seus cuidados. Como posso lhe agradecer? Não há palavras ou gestos que suplantem o que ela fez. Apenas posso amá-la esperando alcançar o quanto ela muito me tem amado.

Percebi ainda este ano o imenso valor da casa dos pais. Pais não medem esforços para ajudar um filho necessitado. Meus pais tiraram até de onde não tinham. Mesmo quando não dizia nada a eles, me ajudavam, pois sabiam quando eu precisava. Os pais de minha esposa também ajudaram imensamente. Juntos, eu e minha esposa temos dois pais e duas mães maravilhosos.

Não posso me esquecer de meu amigo: Joildo. A amizade tem aumentado diariamente. Ele gastou tempo, diversas vezes, comigo, indo a hospitais, clínicas e até mesmo levando a mim e minha esposa para passearmos – não sei se há mais pessoas assim. Juntamente com sua esposa tem nos ajudado, conversando e orando conosco e por nós. Também não há como pagar ou agradecer, espero apenas que minha amizade corresponda.

De fato um ano difícil. Ainda estou me curando. Porém, estou melhorando.

Como disse Dr. House: "Eu sei o que é dor, você acha que pode suportá-la, mas um dia percebe que não pode". Eu senti isso. E não foi nada bom.

Enfrentei uma confusão mental. Alucinações, intempéries emocionais, fraquezas e tremuras. Senti medo. Em alguns momentos, até vergonha.

Todavia, em meio a todas as dificuldades, aprendi muito. Geralmente não nos alimentamos corretamente e, isso é causa de grande parte de nossos desconfortos e sofrimentos. Ao estar doente, tive que aprender a comer, a mensurar a quantidade de sal, açúcar, proteínas e muitas outras substâncias que ingerimos diariamente. Hoje não como mais enlatados ou embutidos. Frutas e verduras fazem parte de meu cardápio. A conseqüência disso: meu organismo nunca funcionou tão tem, apesar dos efeitos colaterais dos remédios, sinto meu organismo funcionando melhor que antes.

Aprendi que não preciso ter fé em milagres. Apenas em Deus. Os sinais acompanham o que crê. Houve momentos de não conseguir ver saída alguma, para determinadas circunstâncias (até alimentação). Mas o Senhor acalmou nosso coração, mesmo não vendo ainda a solução, no entanto, ela sempre apareceu e, de uma maneira inusitada.

Não foi um ano de muita produção. Gostaria muito de ter terminado meu primeiro livro, mas não estava conseguindo digitar. No entanto, li bastante (quando não estava alterado pelos remédios). Interpretei muitos textos. Mesmo não tendo como estudar o segundo semestre na faculdade, não parei de estudar filosofia – não conseguiria, a Sofia me obriga.

Para aqueles que têm orado, ajudado, lembrado e me visitado afirmo: estou consideravelmente melhor, estável. Agradeço o amor e ajuda que têm concedido a mim. Ofertas, remédios, fazerem comida sem sal apenas para me convidar para o almoço (risos). Isso tudo não tem preço. Mas sou grato.

Num ano em que conheci muitas pessoas, que me amaram sem me conhecer, apenas por conhecerem ao Senhor. Sinto-me agradecido a cada irmão e irmã da Igreja de Deus no Jardim Tiradentes em Aparecida de Goiânia, a cada irmão e irmã – também os alunos – do Seminário. O carinho de todos foi essencial para mim.

Este ano acaba como sendo apenas mais um ano. Após tudo ter passado, descobrimos que quase tudo foi diferente do que imaginávamos no final do ano passado. Um novo ano começa. Não tenho promessas – geralmente não as faço. No entanto, espero apenas seguir meu principio: Deixar o Senhor me melhorar a cada dia em prol de meu próximo.

Que 2011 tenha válido a pena.


Honra ao Senhor.

2 comentários:

  1. PAULO E JANAINA , QUEM NOS DERA FAZER REALMENTE A VONTADE DO PAI , ESTAMOS CANSADOS . AJUDANDO AS FAMILIAS DOS JOVENS QUE FORAM ENCONTRADOS QUEIMADOS NA SERRA DA AREIA. MAS QUERIAMOS FAZER MUITO MAIS. PRECISAMOS DE ORAÇÃO DE FORÇA. DE PESSOAS QUE FIQUEM SEGURANDO A CORDA , ENQUANTO VAMOS AOS FUNDOS DOS POÇOS BUSCAR AS ALMAS .

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    1. Particularmente acredito que não precisamos fazer mais, apenas fazer tudo quanto o que nos vier as mãos e segundo nossas forças, Salomão disse isso. Não somos super heróis, Deus não quer isso, Ele criou seres humanos que podem amar apesar de todas as nossas limitações e dificuldades. O Senhor pelo teu Espírito é nossa força e somente dele dependemos.

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