Procuram-se profetas! Um anúncio estritamente bíblico



E busquei dentre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” (Ezequiel 22, 30).

Não há uma pessoa sequer que possa se colocar na brecha pela causa deste mundo perante o Senhor. Todavia, Deus em sua eterna bondade nunca deixou de procurar homens e mulheres que se dispusessem a lutar contra a injustiça existente.

O apóstolo Pedro, demonstra o motivo do sucesso dos profetas do Antigo Testamento. Segundo ele, “porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1, 21).

Nosso tempo não é melhor ou pior do que o mundo antigo. A injustiça continua e, as pessoas prosseguem clamando por que algo seja feito.

Mas ninguém pode fazer nada. A não ser que seja “movido pelo Espírito Santo”. É uma questão de ouvir o chamado, mas não é uma questão de força própria, é algo estritamente de acordo com o poder de Deus. Nenhum profeta estava inteirado em seus próprios negócios, sua disposição era para com o propósito divino.

Portanto, Deus busca profetas, ainda hoje. Mas não pessoas que estejam interessadas em aparecer, ou desejosas de mostrarem suas competências. Mas pessoas que tenham consciência de que quando Deus buscou (busca) alguém, ele nunca encontrou (encontra). Isso ocorre por não existir uma só pessoa capaz de cumprir as expectativas de Deus. Mas se não há alguém que possa cumprir as expectativas do Senhor, como alguém poderá se levantar pela causa de Deus?

Simples ! Se deixando mover pelo Seu Espírito Santo.

Aquele que se deixa mover pelo Espírito Santo aprende a ouvir uma única voz: a da Palavra de Deus. Ouve o chamado de Deus para que se coloque na brecha e reconhece que é incapaz de tal coisa, e assim, como sucedeu com Ezequiel, tal pessoa se torna um profeta. Ou seja, aquele que transmite a Palavra da vontade do Senhor.

Os profetas do Antigo Testamento, ao que parece, estavam sempre conscientes de que não estavam de acordo com a expectativa divina, mas sabiam que o amor, a justiça e o poder do Espírito Santo do Senhor poderiam suprir tal carência.

O profeta Isaías reconhece seu pecado diante de Deus e se coloca não diferente, mas como outro qualquer dentre o povo (Isaías 6, 5). Jeremias mesmo já crescido, chegado em sua juventude, se compara a uma criança diante do chamado de Deus (Jeremias 1, 4s). Daniel, que através de suas orações demonstrou ser totalmente dependente de Deus em qualquer situação (Daniel 2, 14 ss; 6, 1ss). O que não dizer sobre os conhecidos Profetas Menores, boiadeiros, sacerdotes, trabalhadores da terra, homens comuns que reconheceram suas debilidades, mas que o Senhor usou poderosamente.

Algo importante de si notar é que Deus não procura pelos diferentes, muito menos pelos indiferentes. O Senhor busca “dentre eles”, isto é, no meio do povo que habita neste mundo, no meio de gente de lábios impuros, no meio de seres humanos, entre os covardes, os oprimidos e sobrecarregados. Mas ele mesmo diz: “Não encontrei ninguém”.

O Senhor busca e continua à procura; até que apareça alguém entre todos que se reconheça tão indigno, se levante e diga: “Eis me aqui”. E o autor da carta aos Hebreus (11, 38) completa dizendo que destes homens e mulheres “o mundo não era digno”.

Não há dignidade em ser profeta, alguns podem até ser honrados, mas a proposta de trabalho não oferece salários fartos nem benefícios espetaculares. A expectativa deve ser sempre de perseguição, como disse o Mestre (Mateus 5ss). Quem deseja ser profeta, tem sempre uma cruz a carregar, não uma cruz de salvação, mas de luta contra a injustiça, não pelos seus próprios parâmetros do que seja justo, mas pela justiça de Deus.

A questão é: “Quem deseja a indignidade perante o mundo?”. Em meio a um sistema que chama por vencedores, que busca conquistas e pede pessoas que de alguma maneira estejam dispostas a se calar diante de tudo que vêem e ouvem?

O anúncio divino continua. Mas onde estão os “sete mil” que o Senhor preservou, será que até estes se dobraram perante Baal? Será que você também se dobrou? Será que eu me dobrei? Podemos até responder que não, mas o que estamos fazendo?

Buscando dignidade!?

O boletim celestial informa “Se o Senhor não encontrar alguém que se ponha perante ele por esta terra, ela será destruída”. Notemos que não é preciso muito, apenas nos colocarmos diante dele. Ele não encontrou ninguém em seu anúncio, que suprisse suas expectativas. Mas de onde vieram os profetas que fizeram alguma coisa neste mundo? Porque esta terra ainda não foi destruída?

Deus supre suas próprias expectativas, o esperado Profeta dos profetas, o próprio Deus encarnado, supriu as expectativas do Pai, na esperança da salvação e no cumprimento da salvação, através de sua própria indignidade. Novamente o autor dos Hebreus nos lembra que pelo sacrifício de Cristo o anúncio divino continua, e nos convoca: “… corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta…”, e declara como podemos suprir as expectativas de Deus “… olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus…” e demonstra o que Ele fez para conseguir “… o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia (vergonha, indignidade)…” (Hebreus 1, 1ss – parênteses nosso).

O que nos resta? Calar e fingir que está tudo bem e continuarmos nos alegrando e nos dando em casamento como nos tempos de Noé; ouvindo o anúncio e nada fazendo?

O anúncio está ai. Mas, afinal, cada um de nós já sabe, pois temos ouvidos, mas nem sempre são para ouvir – pelo menos não o que o Espírito diz à igreja.

Onde está profeta? Não você que profetiza besteiras à torta e à direita, dizendo que Deus falou isso e aquilo e até cobra por suas predições. Onde está profeta? Sim, você mesmo, que se acha indigno de poder transmitir a Palavra de Deus, mas já não pode suportar mais tanta injustiça. Atenda ao anúncio, Deus ainda está convocando.

Em Cristo e para Cristo,

Tentando atender ao anúncio.


Um comentário:

  1. Gostei da "insistência" em vontade de "mudança"; como você sabe gosto do seu 'otimismo' que é oposto de certa forma, a minha simples vontade de dizer "não há mudança que não seja para pior". Talvez esteja errado.

    Não importa, no fim das contas Deus realmente está ainda dizendo que "Procura-se".

    Abraços,

    Pj

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