A outra face de Jesus


por: Janaína Procópio do Carmo*

A cada dia tenho sido surpreendida mais e mais pelo conhecimento de Jesus. Não apenas em conhecer o Jesus divino, transcendental, cheio de glória e poder. Mas, em conhecer o Jesus humano, que se fez carne e habitou entre nós.

Um Jesus com emoções de tristezas, perdas, frustrações, vontades não realizadas, fome, dor; bem como alegrias, contentamento, prazer, conquistas. Suas manifestações tanto emocionais, quanto físicas eram semelhantes às de qualquer outro ser humano.

Se o próprio Jesus assim o foi, porque nós, de alguma forma, queremos alcançar a superioridade em relação aos outros? Por que disputamos a “maior santidade”? Por que achamos que nossa salvação é mais justa que a dos demais? É preciso entender que Cristo não se fez homem apenas por uma classe que se diz cristão, mas sim ao mundo.

Como igreja temos nos esquecido de pregar o lado humano de Jesus e, nos detido somente no Jesus glorificado, temos interpretado mal sua glorificação. Pregamos um Cristo poderoso, assentado em um grande trono branco, posto a receber todas as nossas orações, tais como: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”; “Sou mais que vencedor”; “Nem um mal me sucederá”.

Todo esse pensamento se fez a partir de uma interpretação errônea do poder de Jesus. Claro que Jesus pode todas as coisas, porém, não conforme nossos parâmetros, mas segundo Sua vontade.

O Jesus humano nos faz entender a vontade de Deus. Ele nos ensina a compreender nossas emoções, nos ensina na perda, no sofrimento, na desgraça, nas tragédias, na pobreza, fome e miséria. Ele nos ensina toas estas coisas justamente porque somos humanos e não pequenos deuses; somos sujeitos a todo tipo de calamidades enquanto neste mundo.

Exatamente neste ponto que muitos crentes se equivocam, pois assim como o sol nasce para o justo, também nasce para o injusto. Mas como muitos crentes aprendem apenas do Cristo que “pode tudo”, não entendem nada quando o dia mal os acomete, e a única coisa que lhes resta é culpar a Deus por não tê-los livrado.

Chamo tais pessoas de crentes imaturos, “filhinhos de papai”, que quando não conseguem o que querem fazem birra e se rebelam.
Todavia, os que conhecem o Jesus humano, quando são acometidos pelo dia mal, dizem simplesmente uma coisa: “Eu confio em Deus”.

* A autora é formanda em teologia pelo SEID, e casada com o dono desse blog: Paulo Eduardo.

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