É (mais um) fim de ano...


Já são ouvidas pelas ruas as músicas natalinas, são vistas as maravilhosas cores das luzes como representação do natal; o Réveillon já marca presença nas programações da TV. As pessoas saem às compras, todas preocupadas se vão encontrar o presente desejado ou não. Há um grupo, porém, que não pode comprar – não só os presentes, mas nem mesmo uma ceia de natal – estes são os pobres e miseráveis. Mas quem quer se preocupar com isso – afinal é tempo de festa – deixe as ONGs cuidarem deles (não é para isso que elas existem?!).

Já re-vejo a monotonia que sempre parece ser novidade, um ano novo que começa igual a todos os outros que já começaram – a única diferença é a tecnologia a ser usada para a explosão dos fogos de artifícios. Cores e mais cores no céu e um branco clamoroso na terra – intenção de paz, mas uma paz que de fato ninguém está disposto a sofrer.

Perdoe-me, não pense que sou pessimista – simplesmente não acredito que o Natal ou Ano Novo possa mudar alguém. As pessoas não mudam porque as datas passam, se alguém muda é porque quer fazer isso.

Noto algo de interessante. Porque que quando estas datas comemorativas se aproximam, logo começamos a ficar “bonzinhos” e preocupados com as pessoas? Isso não acontece porque somos interesseiros. Então qual o motivo?

De alguma maneira misteriosa e esplendida: Deus está em nós! Participamos da imagem e semelhança de Deus. Não apenas alguns de nós, mas todos nós. A diferença é que alguns reconhecem o amor de Deus e o segue; outros ignoram e desvalorizam o amor divino. Todavia, em todo ser humano, a Imago Dei (imagem e semelhança de Deus) é real. É a imagem divina que nos faz procurar em nós os resquícios do amor que funciona, da bondade que se preocupa e ajuda, a fé que confia e espera, da esperança que aguarda resultados, da tolerância que requer mudanças, do carinho que esbanja afetos, da consciência que racionaliza o cuidado para com o próximo e pensa a necessidade daqueles que conhecemos.

Não acredito que este mundo possa vir a ser um lugar bom para se morar, não são feriados e comemorações que vão melhorar alguma coisa. Todavia, acredito, que pelo menos o tempo que passarmos por este mundo, possamos ser conhecidos como pessoas melhores, pessoas que expressaram a imagem e semelhança de Deus, que não nos preocupamos apenas com nosso “natal” (sabemos que significa nascimento), mas que também nos importamos com a existência de outras pessoas.

Por isso nossa vida não é marcada por datas festivas, mas todos os dias são dignos de festas e comemorações. Comemorar a família que temos, os amigos que fizemos e fomos feitos, a possibilidade de crescimento em todas as áreas, o cachorro ou gato (prefiro o primeiro) que cuidamos, ainda podermos comer e beber alguma coisa e, principalmente, pelo fato de termos Deus em nós e podermos entregar nossas vidas a Ele em Cristo.

Assim, agradeço a você que gastou tempo lendo esse texto, meio desconexo, mas sincero. E que sua vida seja um constante natal (nascimento diário para a vontade de Deus) e, não apenas um ano novo repleto de disponibilidade, mas sim cada dia seja um novo dia para se viver uma vida que se renova sempre em Deus e em Sua Imago.


Que a imagem do Senhor seja o reflexo de nossas vidas!

Ainda irmãos? ou Inquietação interior



“... nosso amado irmão Paulo...” 2 Pe. 3,15


Do que você prefere ser chamado? Pastor, professor, mestre, missionário...? Assim alguém me perguntou! Respondi que podia chamar-me por meu nome mesmo, ou seja, Paulo Eduardo. Mas se quisesse me chamar de algo além de meu nome próprio, poderia me chamar de irmão.
Depois de tal acontecido fiquei a meditar no ocorrido. E uma pergunta me veio ao pensamento: “Por que gostamos tanto de títulos?” – e ainda mais – “Por que não aceitamos um título qualquer, e queremos sempre mais?”.
Assisti no You Tube um debate entre um teólogo norte-americano e um ateu. Os produtores do debate caçoavam com o teólogo, visto que quando perguntaram seu nome ele logo disse, chamem me de Doutor “fulano de tal” (o fulano de tal é por minha conta), mas quando perguntaram ao ateu, este disse que podiam chamá-lo por seu primeiro nome (e o ateu era PhD.). Detalhe! O debate não era frente a frente, mas sim gravado, nenhum estava vendo o outro.
Percebo que não é diferente nos dias atuais, conheço vários doutores em diversas áreas do saber e a maioria deles preferem ser chamados por “você” e quando muito professor (a maioria deste não são cristãos). Todavia, não sei porque motivo, na igreja somos tão exigentes com os títulos e principalmente com o “(S)senhor”.
Há títulos para todos os gostos, diácono, evangelista, pastor e, agora a moda é aderir a títulos mais pop, tais como: Bispo, Apóstolo, Pai-Póstulo (não sei que porcaria é essa) e tantos outros que podem existir por aí. Parece que ninguém está satisfeito com o título que tem.
Quando observo o texto supracitado, escrito por Pedro, admiro a simplicidade em que ele trata o “grande apóstolo dos gentios”, Pedro não faz uma super apresentação, mas simplesmente o chama de amado irmão Paulo.
Alguém, que queira ainda argumentar a favor de sua contínua auto-preservação “vocacional”, vai dizer que Pedro poderia chamar a Paulo dessa maneira, visto que eles estavam na mesma condição, ambos eram apóstolos. Mas em contra-argumento, posso afirmar que Pedro não estava falando a um grupo de líderes, mas escrevendo aos demais irmãos de uma comunidade cristã (será que alguém ainda lembra o que isso significa?). Quando Pedro escreve para “o povo” dessa maneira ele está dando permissão para que “o povo” haja dessa maneira e chame a Paulo e também ele, o próprio Pedro de irmão. Logo ele não exige nenhum título nomeador a si e nem a Paulo.
Na igreja primitiva, ser irmão era mais importante do que qualquer título e qualquer função. Afinal o que prevalecia na Eclésia era a fraternidade que vivia no amor de Cristo.
O próprio Paulo não faz questão de demonstrar título algum quando reporta sobre Apolo na carta aos Coríntios, ele mesmo diz: “E, acerca do irmão Apolo, roguei-lhe muito que fosse com os irmãos ter convosco...” 1 Co. 16, 12. Apolo aqui é colocado na mesma condição dos demais.
Por que exigimos às pessoas que nos chame por títulos? Até mesmo quando assinamos algum documento fazemos questão de colocar nosso tão precioso título (isso independente do lugar) antes de nossos nomes, como se fosse parte deste. Há várias pessoas com o nome Pastor Fulano, Evangelista Cicrano, Apóstolo Beltrano.
Pergunto-me se isso é porque valorizamos de fato nossa obra no Senhor? Ou se é por que assumimos uma real forma de servo que não podemos desvincular o título de nossos nomes? Ou será que a causa é nos sentirmos bem em sermos tratados diferentes em relação aos demais e até mesmo com superioridade? (Se alguém tem alguma sugestão envie um comentário, mas com bons argumentos).
O amor fraternal é a marca que deveria permanecer na verdadeira Eclésia do Único Senhor, o Sumo Pastor e Bispo, o Real Apóstolo e Mestre, o que não se auto-condecora, mas se humilhou e foi condecorado – leia se engrandecido – e exaltado pelo Único que pode ser chamado de Pai de todos os que existem. Alguém conhecido por um nome comum e que aceitou seu nome até a morte e reina com este nome por toda a eternidade: Jesus.

Quando o amor bíblico-fraternal é vivido na prática, títulos e funções são apenas questões secundárias – visto que sempre há respeito mútuo. Quem precisa cobrar honra para si, já perdeu o direito de honra há muito tempo.

“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”. 1 Jo. 3, 14.

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