Biografia de um mestre-aprendiz


A impetuosidade do ser humano pode levá-lo à falência, se este não percebe logo que está indo pelo caminho errado.
No filme “O Mestre das Armas”, baseado em uma história real, passa-se a narrativa de um orgulhoso homem chinês, cujo nome é Huo Yuanja (interpretado por Jet Li). Huo Yuanja sempre quis aprender artes marciais com o intuito de ser o maior lutador do mundo. Seu pai, porém, não quis ensiná-lo. Seu pai era um homem honrado e honesto, e quando lutava o fazia com o princípio de aprimorar suas técnicas, e de acordo com o filme ele era um excelente lutador.
O rapazinho cresceu, e aprendeu a técnica de luta da família sozinho, viveu grande parte de sua vida acreditando que seu pai era um derrotado, por isso se dedicou a vencer todos que se opusessem a si, sem piedade. E assim o fez. Angariou para si um grande número de discípulos, que queriam apenas seu dinheiro.
O tempo passou e seu dinheiro acabou, ficou muito endividado, e se tornara desacreditado na cidade onde vivia.
Para que Huo Yuanja se tornasse o melhor lutador daquele lugar restava apenas um grande lutador, e ele o venceria. Em uma batalha aterradora Huo Yuanja desfere um poderoso golpe no peito do adversário arrasando seu coração, causando-lhe a morte. Um dos discípulos do lutador derrotado, inconformado com a crueldade, mata toda a família de Huo Yuanja e depois se suicida.
O “grande mestre” Huo Yuanja não sabendo mais o que fazer de sua vida, resolve se distanciar daquela cidade e passa a viver como um mendigo. Certo dia prestes a se afogar, é retirado da água por uma família de camponeses, que o acolhe e ajuda-o a se reestruturar.
Junto à família que o salvou e em um vilarejo de camponeses plantadores de arroz, Huo Yuanja é cuidado por uma mulher cega e aprende princípios que nunca conheceu antes, e relembra aqueles que sua mãe o havia ensinado. Huo Yuanja fica por ali um longo tempo, e então resolve voltar para rever o túmulo de seus pais.
De volta à sua cidade, descobre que os ocidentais estavam tomando o governo e a direção do lugar, e que ali já não era mais como antes. Descobre que os chineses estão sendo caçoados e desafiados em lutas pelos norte-americanos. Então Huo Yuanja resolve lutar mais uma vez, contra aquele que é conhecido como o “homem mais forte do mundo”.
Pede dinheiro emprestado com um antigo amigo, e segue para a luta. Mas dessa vez o interesse de vitória não é para si mesmo, mas para recobrar a honra de todos os chineses.
Ele luta e vence, e pela primeira vez demonstra-se como alguém que realmente mudou. Huo Yuanja nesta luta não permite que seu adversário morra, e salva-o de cair sobre algumas pontas de ferro do ringue.
Inicia-se então uma nova era em sua vida, Huo Yuanja abre uma academia de artes marciais, e tem agora verdadeiros discípulos e os treina não para vencer, mas para viver; para desenvolverem suas vidas de maneira digna e honrada.
Os ocidentais entram em polvorosa, querem recobrar a grandiosidade que perderam, então tramam uma luta, na qual Huo Yuanja enfrentará quatro oponentes, um de cada vez, e somente então a china será reconhecida.
O mestre, agora, sábio, aceita o combate, não por si, mas pelo povo que lutará com ele, não no ringue, mas no coração.
Huo Yuanja vence a luta contra três oponentes ocidentais.  O quarto lutador é japonês, eles lutam. Os ocidentais trapaceiam contra o mestre chinês e o envenenam, mesmo assim ele continua a luta até o fim, e então desfere o seu poderoso golpe, porém...
Surpresa! Ele parou o soco antes que tocasse o coração do adversário, não quis matá-lo, apenas vencê-lo. Após fazer isso, não consegue mais se manter em pé, então cai.
O lutador japonês, mesmo com uma equipe desonesta continua sendo um homem de honra e reconhece sua derrota declarando que o campeão de fato é Huo Yuanja, ele o ergue e todos o vêem como o vencedor. E então o mestre chinês morre ali, nos braços de seus discípulos.
Morre um homem, nasce uma lenda! Aquele que havia se tornado esquecido por sua soberba e autodestruição, agora é reconhecido como um herói, alguém que não teve medo de mudar, mas que enfrentou a si mesmo, como seu maior inimigo, para ter a maior vitória de todas, a da vida.


Ponto de encontro ou O Juízo


Nesta quinta-feira 8 de outubro de 2009 foi o funeral de meu tio, alguém que amei muito e que me amou também. Quase toda a família estava ali reunida, quanto ao clima nem é preciso comentar. No rosto de sua esposa e filhos, uma dor inconsolável – pelo menos por um mero ser humano. Não pude conter-me e chorei.
No momento do enterro, foi-me permitido dar uma palavra, e falei sobre a necessidade de união para nós que não morremos ainda. Disse que muitas vezes esperamos que a morte nos una, somente quando alguém morre que então nos reunimos todos. Parentes, amigos, vizinhos, conhecidos e até desconhecidos.
Mas o que mais me tocou não foram minhas palavras. O que mexeu comigo foi uma sentença dita por meu avô pouco antes do enterro. Meu avô não é uma pessoa letrada, nunca fez teologia, estudou pouco e a igreja onde congrega explica pouco a Palavra. Porém suas palavras foram culminantes – pelo menos para mim.
Ele pôs a mão sobre o caixão - seus olhos estavam cheios de lágrimas - e disse: “A gente se vê no juízo”.

Enquanto todos traçavam uma rota para a alma de meu tio, a fim de reanimarem seus ânimos – pelo menos para suportarem a dor. Meu avô entendeu que ele não era capaz de destinar um lugar no além para onde meu tio iria. Suas palavras foram carregadas de sabedoria – não por saber alguma coisa – mas exatamente por não ser capaz de julgar sobre o desconhecido. Ele entendeu que somente a Deus cabia esse julgamento.
Não sei quantas pessoas prestaram atenção no que disse meu avô. Todavia, uma coisa sei, que estas palavras não poderiam ser desperdiçadas. Elas precisavam de um registro, para honrar aquele que as disse.
  
“As vezes, a sabedoria não está na mente dos estudiosos, mas no coração daqueles que reconhecem que não sabem”.

Apenas 10% ou Devaneios de um teólogo


Imagino se déssemos de fato 10% de tudo que tenho ao Senhor, se eu entender que devo dar a Ele não apenas dinheiro (e não é sobre isso que estou falando aqui), mas sobre tudo que tenho.
Apenas 10% de minhas mãos... Só me sobrariam nove dedos
Apenas 10% de meus pés... Só me sobrariam nove dedos e provavelmente um calcanhar
Apenas 10% de minha boca... É provável que eu ficasse sem a língua
Apenas 10% de meus olhos... Passaria a enxergar mal, se já uso óculos então... Piora tudo!
Apenas 10% de meus ouvidos... Querendo ou não eu praticamente perderia a audição de um dos lados, pelo menos parte dela
Apenas 10% de meus braços e pernas... Ficaria sem uma parte dos braços e pernas
Apenas 10% de meus órgãos interiores... Minha respiração ficaria comprometida, meu aparelho digestivo não funcionaria normalmente, meus rins não seriam suficientes, meu coração estaria danificado; sem falar em outras partes
Mas caso eu queira dar apenas um décimo de todo o meu corpo, então ficarei sem cabeça.
Ainda devo lembrar que não sou apenas material, há ainda uma parte imaterial, meu espírito, e tirar 10% deste é simplesmente uma afronta ao Todo-Poderoso.
De alguma maneira, me parece que não adianta eu dar apenas parte do que tenho para Deus, pois sempre que dou parece que perco
Apenas 10% não resolvem problema algum, apenas os aumenta. Pois Deus não me tem por completo e eu também não sou mais completo.
Compreendo que Deus não me quer apenas em parte, afinal Ele não trabalha em um açougue.
Deus quer o ser humano em tudo que este é, com todos seus jeitos, trejeitos e defeitos. Suas capacidades e incapacidades. Seus bens e seus males. Suas alegrias e sofrimentos. Seus desejos e disposições.
Se eu posso dar apenas 10% do que sou para Deus, na verdade não dou nada, apenas perco tudo.
Se penso que ficar com 90% é grande coisa, ao fazer a subtração vou perceber que ainda assim fiquei no prejuízo, pois só temos valor tanto para nós quanto para Deus se nos dermos por completo a Ele.
Apenas a plenitude do que somos pode fazer a vontade de Deus, apenas a plenitude de Deus pode nos levar a fazer Sua vontade.
Dar-nos totalmente a Deus é saber que Ele de alguma maneira também se dá totalmente a nós. Não há barganhas. É tudo ou nada.
Não podemos receber a Deus apenas em parte, não podemos nos dar a Deus apenas em parte. O todo é que faz a diferença.

A cada manhã ou Suspiros de um coração agradecido


Levanto-me e me lembro que só o faço porque o Senhor me sustenta,
Compreendo que me levanto por Ele e para Ele.
Saio de casa, pois meu Cristo me auxilia nisso,
Compreendo que sai por causa dEle.
Pego o ônibus, vou para a escola, estudo, converso, penso, ouço...
Compreendo que Ele me deu cada momento, ação, emoção, reação.
Sigo para o trabalho, com a força que ele me deu, capacitação, inteligência...
Compreendo que trabalho por Ele e para Ele.
Volto para casa, abraço e beijo minha esposa, assento-me, deito-me, durmo...
Compreendo que ele me dá descanso e regozijo.
Ao orar, sou elevado a Ele e por meio dEle.
Ao cantar, louvo para Ele e por Sua graça.
Ao meditar em Sua Palavra, recebo ensino por Seu Espírito.
Todas as boas ações que faço têm o intuito de glorificar apenas a Ele,
Cada ação má que cometo, trazem sofrimento a mim, mas o perdão somente vem dEle.
Não posso dar um suspiro apenas se o Senhor não o quiser.
Não posso me levantar a cada manhã, se Ele não deixar.
Não posso pensar, se Ele não me liberar.
Não consigo nem o adorar se Ele não vir a mim.
Compreendo que tudo o que faço, penso, falo é por Ele.
Compreendo que vivo por Ele e para Ele.
Não posso compreender-me não fazendo qualquer coisa que seja senão para Ele.
Sou seguidor do Caminho, andarilho em mundo estranho, peregrino em terra desconhecida, não posso viver aqui senão para meu Senhor e minha vida espera nEle.

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