Ponto de encontro ou O Juízo


Nesta quinta-feira 8 de outubro de 2009 foi o funeral de meu tio, alguém que amei muito e que me amou também. Quase toda a família estava ali reunida, quanto ao clima nem é preciso comentar. No rosto de sua esposa e filhos, uma dor inconsolável – pelo menos por um mero ser humano. Não pude conter-me e chorei.
No momento do enterro, foi-me permitido dar uma palavra, e falei sobre a necessidade de união para nós que não morremos ainda. Disse que muitas vezes esperamos que a morte nos una, somente quando alguém morre que então nos reunimos todos. Parentes, amigos, vizinhos, conhecidos e até desconhecidos.
Mas o que mais me tocou não foram minhas palavras. O que mexeu comigo foi uma sentença dita por meu avô pouco antes do enterro. Meu avô não é uma pessoa letrada, nunca fez teologia, estudou pouco e a igreja onde congrega explica pouco a Palavra. Porém suas palavras foram culminantes – pelo menos para mim.
Ele pôs a mão sobre o caixão - seus olhos estavam cheios de lágrimas - e disse: “A gente se vê no juízo”.

Enquanto todos traçavam uma rota para a alma de meu tio, a fim de reanimarem seus ânimos – pelo menos para suportarem a dor. Meu avô entendeu que ele não era capaz de destinar um lugar no além para onde meu tio iria. Suas palavras foram carregadas de sabedoria – não por saber alguma coisa – mas exatamente por não ser capaz de julgar sobre o desconhecido. Ele entendeu que somente a Deus cabia esse julgamento.
Não sei quantas pessoas prestaram atenção no que disse meu avô. Todavia, uma coisa sei, que estas palavras não poderiam ser desperdiçadas. Elas precisavam de um registro, para honrar aquele que as disse.
  
“As vezes, a sabedoria não está na mente dos estudiosos, mas no coração daqueles que reconhecem que não sabem”.

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